A Educação Especial vem
passando por transformações que se caracterizam na integração das pessoas com
surdez nas escolas comuns e numa perspectiva inclusiva, pelo redimensionamento
das práticas pedagógicas que possibilitem novas práticas educacionais que
assegure aos alunos com surdez uma nova postura para o ensino e que ofereçam
condições necessárias para que o aluno alcance o sucesso na escola comum,
superando as dificuldades preferencialmente no uso da Língua Brasileira de Sinais
e a Língua Portuguesa, isto é, a proposta de educação bilíngue com o
acompanhamento do Atendimento Educacional Especializado para os alunos com
surdez.
Sabemos
que a Política Educacional Especial passa por uma trajetória de mudanças
necessárias para superação das barreiras no ensino dos alunos com surdez, para
que esses possam ter os seus direitos adquiridos nas escolas comuns, e o
direito às práticas pedagógicas favoráveis ao desenvolvimento cognitivo e
social.
Por mais as
políticas estejam definidas, muitas questões e desafios ainda estão para ser
discutidos, muitas propostas, principalmente no espaço escolar, precisam ser
revistos e algumas tomadas de posições e bases epistemológicas precisam ficar
mais claras, para que, realmente , as práticas de ensino e aprendizagem na
escola comum pública e também privada apresentem caminhos consistentes e produtivos para a
educação de pessoas com surdez (DAMÁZIO, 2010, p. 42)
O problema da educação escolar para
surdos precisa ser revista com urgência, tanto no redimensionamento das práticas,
quanto na garantia do acesso das duas línguas: Língua Brasileira de Sinais e a
Língua Portuguesa, mas sabemos que a aquisição da língua dos sinais por se só
não é suficiente para garantir uma aprendizagem significativa, porém o meio em
que a pessoa com surdez está inserida, principalmente o escolar, pode
estabelecer condições favoráveis ao desenvolvimento cognitivo e social de
acordo com o potencial da pessoa com surdez para que haja uma melhor interação
com o ambiente e com os alunos da sala comum. Segundo DAMÁZIO (2010, p. 48) “é
preciso construir um campo de comunicação e interação amplo possibilitando que
as línguas tenham o seu lugar de destaque, mas que não sejam o centro de tudo o
que acontece nesse processo.”
O
AEE tem contribuído muito para superação das barreiras que interfere no
desenvolvimento e aprendizagem das pessoas com surdez e deve ser visto como um
ambiente de construção e reconstrução do conhecimento, atendendo as
necessidades educacionais especiais do indivíduo e assegurando a aprendizagem significativa
por meio de práticas, recursos e materiais pedagógicos que colaborem com o
processo de escolarização do aluno com surdez. Sendo assim, a organização
didática do AEE PS é elaborada de forma que atenda os três momentos didático-pedagógicos:
Atendimento Educacional Especializado em Libras; Atendimento educacional
Especializado para o ensino da Língua Portuguesa escrita; Atendimento
Educacional Especializado para o ensino de Libras. Deve está inserido nesse
plano o ambiente comunicacional das duas línguas com interação ativa dos alunos
com surdez que possa proporcionar uma aprendizagem satisfatória.
DAMÁZIO,
Mirlene Ferreira Macedo; FERREIRA, Josimário de Paulo. Educação Escolar de Pessoas com Surdez – Atendimento Educacional
Especializado em Construção. Revista Inclusão. Brasília: jan-jul, 2010.